sexta-feira, 17 de abril de 2015

63ª Caminhada: Caminhos de Montemuro à Lupa

(Brevemente as fotos e mais informação)

Com os Solas Rotas, rumo à mais desconhecida das serras [Amorim Girão], transformando momentos simples em instantes inesquecíveis.

A Serra de Montemuro, com a sua altivez e majestade, lá de cima da sua planura, observa tudo o que a rodeia e todos que se lhe dirigem.

No Marco Geodésico da Pedra Posta, com uma visão soberba, avista paisagens quase até ao infinito. Diz-se que aqui o espaço não tem limite. Do litoral até ao interior beirão, das encostas da Serra do Marão a Norte, até à Serra da Freita a Sudoeste e a Serra da Arada a Sul.

É imponente com os seus 1382 metros de altitude, vigiando uma imensidão vazia com paisagens de cortar a respiração, riscadas pelas ribanceiras quase verticais, corta fogo, como se de linhas de costura parecessem, unindo panos com tramas de cores amareladas e lilases dos tojos e das urzes.

Nos seus vales errantes, de rochas xistosas, graníticas e outras, resultado do metamorfismo de contacto, brilham as suas micas e seixos braquissimos, numa serenidade como se fosse o princípio do mundo, só interrompida pelo distante badalar cadenciado dos rebanhos que faz lembrar o compasso pascal.

É toda esta beleza aos nossos pés que não se esquece e nos faz sentir necessidade de voltar e abraçar  aquilo que é de todos.

Foi assim, no dia de treze de Abril de 2015, fantástico, com o sol radiante, céu descoberto e cheiro a terra. Os Solas Rotas encontraram-se para disfrutar mais um desafio e momentos de amizade.

Com a Flora, uma linda cadela, a dar espetáculo, de rabo “a dar a dar” a anunciar alegria pelo grupo e pela liberdade, fomos assim recebidos e logo impelidos a contemplar a capela da Nossa Senhora do Monte em Alvarenga. A Santa é de belissimas feições sendo o seu jubileu anual a sete de Setembro.

Porque dezanove quilómetros era a distância prevista, o início da caminhada aconteceu rapidamente por entre eucaliptos numa rodeira que se tornou depressa íngreme, após a Portela designada por Fojo.

Começa-se a vislumbrar-se um ponto branco, lá no cimo, lado esquerdo, no recorte da serra. Do mesmo lado, mas lá em baixo, fica a aldeia de Bustelo e a aldeia de Noninha que serão visitadas no regresso.

O desnível do estradão era tanto, que às vezes, enquanto subíamos pela Serra de São Pedro, parecia estarmos mais alto que as pás dos moinhos modernos também chamados de aerogeradores.

Ficamos reduzidos à nossa insignificância quando a referência são estas produtoras de energia gigantes. Com tronco autoritário e os braços gigantes mas elegantérrimos, como sinaleiros ora extintos, deixam-se empurrar pelo vento, produzindo a energia que sustenta a civilização. Não me choca a sua presença e aprecio o seu movimento, parecendo, como disse a Vera, “bailarinas” na cumeada das serras.

“Energizados”, encontramos o Menir mas parece que a desilusão foi grande.  Verificamos que era só um pouco maior que um paralelepípedo. Afinal, o tamanho do Menir, conta .....

Num plano superior, vislumbra-se uma ave de rapina, quase a chegar à Capela de São Pedro do Campo. Lugar privilegiado. Que bela panorâmica, com o seu altar exterior, como ponto cardeal, a indicar o rumo a Norte.

Espraiados e encostados à capela, as merendas rapidamente se tornaram o melhor petisco.  O cheiro a fêveras grelhadas em vinha d`alhos também ajudou a empurrar as sandochas numa zona do país onde a carne arouquesa é afamada.

Nada melhor para descansar e recuperar forças porque o MG (Marco Geodésico) ainda tardava.

Lá de cima, os pedestrantes em movimento acelerado, parecem divertir-se  como se de um carrossel de feira se tratasse. Não era para menos, pois o MG estava a aproximar-se, avizinhava-se a descida e, se não fosse alguma neblina, até o mar se podia mirar.

Depois da foto de grupo da praxe e algumas poses mais sensuais, agarradas ao MG, não digo de quem, tirou-se o azimute até ao ponto de partida, isto é, até ao ponto de chegada.

Descida prolongada até à aldeia de Noninha. A aridez do alto da serra, com plantas rasteiras matizadas, de amarelo e lilás, parecendo uma pintura famosa, foi substituída gradualmente por cuarelas verdes próximas das casas com telhados de xisto.

Sem demora, chegamos à Aldeia de Bustelo, com paragem obrigatória na capela com o mesmo nome. Tão singular pelos seus finos telhados de pedra negra e demasiado baixa e alongada. Tudo muito simples mas funcional na ligação com o além.

Quase no ponto de chegada, com cansaço físico acumulado mas com as energias vitais renovadas, estamos mais preparados para os outros desafios mais terrenos, porque as caminhadas alimentam-nos mesmo sem serem alimento.

Segundo, Karl Gottlob Schelle, “viver continuamente em ambientes confinados amolece o espírito das pessoas e enfraquece o seu bom senso”.

Aqui fica o que sinto e como sinto, após um trilho que desde já recomendo.

Obrigado a todos os Solas Rotas.

Venha mais uma ....

Adelino Ramos

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