domingo, 11 de outubro de 2009

Moinhos do Ave em Vieira do Minho

No dia 10 de Outubro, foi descoberto a Tritão (1846), inaugurado o Canal do Panamá (1913) e o jogo Pac Man (1879) apareceu de olhos em bico. Não andamos 4.500 milhões de quilómetros, mas pareceu. Tivemos para nadar 82 km, mas não choveu. Não encontramos nenhum Fac-Man, mas a deglutir somos melhores.

O objectivo inicial era fazer o reconhecimento para a II Caminhada - Costa dos Castanheiros, a organizar pelo nosso grupo no próximo dia 25. Partimos do Porto, ainda as galinhas não se tinham deitado, seguindo as indicações do mapa do percurso entramos numa "estrada florestal"... Infelizmente não trouxemos a chaimite. Mudamos o ponto de partida da próxima caminhada, ficando assim demonstrado a importância de um reconhecimento prévio.

Ao primeiro sinal (caminho certo), mesmo antes de chegar "a uma antiga Casa de Guarda", paramos a carroficina, ou seja a necessidade do carro ir parar a uma oficina, e galgamos a pé. Afinal, é para isso que o nosso grupo existe, romper solas e contribuir para diminuir o desemprego.

Entramos, sem pedir licença, em todos as ramificações do caminho principal e anotamos pontos de interesse. Quando chegamos ao Café Turismo, perto da Aldeia de Agra, falamos com o dono, o senhor José. Uma simpatia de pessoa que tira uns cafés... quentes. Confidenciou que já tinha sido emigrante na França, mas não resistiu ao chamamento da terra. Conhece a Serra da Cabreira como a sua palma da mão e quando nos disse que estávamos no caminho errado... devíamos de ter acreditado sem reservas. Apenas no Cruzeiro da Aldeia de Agra se fez luz, mas não a suficiente, porque decidimos fazer o percurso dos Moinhos do Ave, que se situa entre as aldeias de Lamedo e de Agra.


Ainda não tínhamos feito todo o percurso no sentido inverso, visto que é linear, quando avistamos um bode suspeito. Um compadre, porque tivemos perto de sermos o bode expiatório da sua agressividade. Juro que não estava interessado nas suas ovelhas.

Começamos a calcorrear o percurso como este faz sentido e sempre junto do rio. Inicia na margem direita (ver como determinar a margem) das lágrimas derramadas pela pastora que queria ser ave, o Rio Ave. A primeira paragem foi na ponte romana, que apenas deve ser atravessada para explorar a zona. As marcas da velhice são atravessadas por uma cicatriz recente, que presumo seja um cabo de electricidade. Uma operação não plástica era mais aconselhada.


Ainda na margem direita do rio, continuamos a subir. Fomos descobrindo pormenores deliciosos por entre a vegetação. O jogo das escondidas era feito com mestria. Onde está o rio? Está aqui. Onde está o rio? Está aqui já disse!


Sem nos apercebermos chegamos à... coisa. Vá lá... não custa nada. Leia, em vez de levar, na tabuleta.


Como não tinha bebido muita cerveja, o caudal era fraquinho. Imagino como será nos festivais de Inverno na serra.


Por entre brumas, entramos em pequenos recantos, onde: não me perdi; não andei sozinho; não ardi; fui porque quis e era senhor dum tempo finito. Nesses momentos chegamos a imaginar, a criatividade ou o fumo assim o obriga, que vimos a toca de um lobo. Falso alarme. E não terminamos o resto do percurso em menos de 5 minutos, mais rápidos do que o Francis. Atravessamos o rio e agora caminhávamos na sua margem esquerda.


Atravessamos o rio e agora caminhávamos novamente na sua margem direita. O percurso não é homologado, mas podia estar melhor sinalizado. O rio, nesta parte do percurso, veste a sua camisola de pura lá e não é só no inverno. As autoridades responsáveis por estes percursos deviam tosquiar mais vezes. Embora o som do rio a correr seja uma bênção, uma imagem deste vale com certeza mil palavras.


Não dá para ver o rio... procura-se uma ave. Há imensos animais pela serra, mas apenas vi uma cobra a atravessar o meu caminho. Tinha para ai uns 5 metros, 1 metro, 5 centímetros... era uma minhoca.


Continuamos pelo caminho, com algumas subidas, mas de pouca inclinação. O meu broder foi para trás buscar algo que se esqueceu... Ah!?... Está a dizer-me que não perdeu nada! Afinal era uma foto tirada quando estávamos a ir para o inicio do percurso. Enganadores.


Partes do percurso era de uma beleza irrepreensível. A natureza vestia alta costura em tons de verde e calçava uns sapatos salto alto acastanhados.


Estávamos a chegar ao fim (ou era no inicio, já não sei bem) do percurso e um incauto caminhante olhava para o céu. Dahhh... "Está a procura do Ave no céu?" - diria o meu amigo angolano. A subida para a Aldeia de Agra foi feita devagar e por etapas, mas conseguimos chegar no mesmo ano. A Aldeia de Agra é classificada como Aldeia de Portugal e vale a pena desgostar as suas gentes, património, cultura e claro, a sua gastronomia. Nós? Nós, fomos ainda fazer o reconhecimento do caminho certo para a II caminhada organizada pelo nosso grupo.

Boa(s) caminha(das).

  • Nome: Trilho "Moinhos do Ave"
  • Local: Lamedo (Vieira do Minho)
  • Partida/Chegada: Lamedo (Vieira do Minho) - Agra (Vieira do Mundo)
  • Tipo: Linear
  • Distância: 4 km (8km ida/volta)
  • Grau: Fácil/Moderado (devido à chuva)
  • Data: 2009-10-10
  • Participantes SR: Sérgio, Carlos
  • Duração: 3 h
  • Organização: Solas Rotas

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